Religião tradicional manju

Ícone etno-religioso manju.

A religião tradicional manju é a religião étnica da maioria do povo manju, o maior dos povos tunguses, na China. Pode ser chamada também xamanismo manju dado que a palavra "xamã" sendo originária do tungus šamán ("homem de conhecimento"),[1] mais tarde aplicada pelos multíscios ocidentais a prácticas religosas similares noutras culturas.[2] É composta por um sistema panteísta, acreditando num Deus universal chamado Apka Enduri ("Deus dos Céus") o qual é fonte omnipresente de toda vida e criação.[3] As deidades (enduri) evocam cada aspecto da natureza e a adoração destes deuses é tida como beneficiosa para o crente, outorgando-lhe sorte, saúde e prosperidade.[4] Muitas das divindades eram no princípio antepassados dos manjus originais, sendo que as pessoas que com o mesmo apelido teriam sido engendradas pelo mesmo deus.[5]

Ritos religiosos

Os ritos religiosos tradicionais manjus foram padronizados pelo Imperador Qianlong (1736-96) no "Ritual Sacrificial Manju para os Deuses e o Céu" (Manjusai wecere metere kooli bithe), um manual publicado em manju em 1747 e em chinês (Manzhou jishen jitian dianli) em 1780.[5][6] Com a conquista do poder imperial na China (dinastia Qing) pelos manjus, estes paulatinamente adoptaram a língua chinesa e foram assimilados à religião tradicional Han. Porém, a religião tradicional manju mantem-se como uma características diferenciatória no conjunto mais amplo das religiões da China para o povo manju.

Templos e divindades

Os cultos religiosos manjus originalmente eram celebrado em santuários chamados tangse (em chinês: 堂子 tángzi, "salão"; or 谒庙 yèmiào, "templo visitatório")[7] mas pelo menos por 1673 todos os tangse comunais foram proibidos com a excepção do edifiício do culto imperial. As casas continuaram a fazer os seus rituais em altares privados chamados weceku.[8]

Os cultos populares gradualmente adoptaram deidades chineses ao panteão tungúsico. Guwan mafa (关帝 Guāndì, Divus Guan), cujo carácter marcial foi especialmente aos manjus, tornou-se numa das suas deidades mais queridas. Outro culto popular foi o da Deusa (娘娘 Niángniáng).[9]

Referências

  1. Elliott (2001), p. 235.
  2. «Definição ou significado de xamã no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 12 de novembro de 2017 
  3. Shirokogorov (1929), p. 204.
  4. Elliott (2001), p. 236.
  5. a b Ma & Meng (2011), p. 381.
  6. Elliott (2001), p. 238.
  7. Elliott (2001), pp. 465–66, note 13.
  8. Elliott (2001), p. 239.
  9. Elliott (2001), p. 239

Bibliografia

  • Elliott, Mark C. (2001). The Manchu Way: The Eight Banners and Ethnic Identity in Late Imperial China. Col: Religious Studies in Contemporary China Collection. 1. [S.l.]: Stanford University Press. ISBN 0804746842 
  • Pang, Tatiana A. (1993). «"Praying in the Darkness": New Texts for a Little-Known Manchu Shamanic Rite». Budapest: Molnar & Kelemen Oriental Publishers. SHAMAN: An International Journal for Shamanistic Research. 1 (1-2). ISSN 1216-7827 
  • Ma, Xisha; Meng, Huiying (2011). Popular Religion and Shamanism. Col: Religious Studies in Contemporary China Collection. 1. [S.l.]: Brill. ISBN 9004174559 
  • Shirokogorov, Sergeĭ Mikhaĭlovich (1929). Social organization of the Northern Tungus. [S.l.]: Garland. ISBN 0824096207 
  • Portal da religião
  • Portal da China